O pavilhão auricular é considerado uma parte muito importante do corpo humano, por constituir um microsistema, capaz de funcionar como um receptor de sinais de alta especificidade, podendo refletir todas as mudanças fisiológicas dos órgãos e vísceras, dos quatro membros, do tronco, tecido e outros. A aurículodiagnostico faz parte da avaliação clínica para o atendimento de aurículo. Através da observação dos sinais no pavilhão auricular, que são indicativos e/ou tendências a processos patológicos, crônicos em atividade ou não. Esses sinais ocorrem devido a alterações energéticas nos Zang Fu (órgãos e vísceras), que se manifestam no exterior através do pavilhão auricular, indicando disfunção energética, funcional ou orgânica (SOUZA, 2007).
A Medicina Tradicional Chinesa considera a existência de um fluxo de energia circulante no corpo humano, quando um Zang Fu apresenta alguma alteração, aparecem reações reflexas na região correspondente ao órgão lesado na orelha, podendo expressar através de sensibilidade, formação de pápulas, descamações, diminuição da resistência, onde através dessas características se faz a avaliação auricular e consequentemente, dessa forma usa o pavilhão auricular para efetuar o tratamento através do reflexo que a aurículo exerce sobre o Sistema Nervoso Central (YAMAMURA, 2004).
O Pavilhão auricular possui inúmeros filetes nervosos por uma circulação sanguínea constituída por vasos capilares, nele recebe quatro pares de nervos, distribuídos entre face e dorso, cada par se subdivide em quatro outros pares de nervos sensitivo e um par de nervos motores. Assim o estimulo sobre a malha da corrente sanguínea e nervosa, se transmite ao tálamo e deste ao cerebelo, tronco cerebral, encéfalo, posteriormente a todos os núcleos cerebrais, onde ocorre à ação do cérebro sobre o organismo, de forma reflexa, assim busca o equilíbrio e regeneração (SOUZA, 2007).
O estimulo auricular acarreta em uma gama de atividades reflexas condicionadas, que integram um circuito com capacidade reacional, formando uma corrente de ligações dentro co córtex cerebral, com isso, ocorre uma melhora sensível do tônus do Sistema Nervoso e da reatividade do sistema neurovegetativo. A aplicação de um estimulo, acelera uma série de reações reflexas que leva a agir sobre todos os órgãos, membros e suas funções equilibrando e harmonizando o organismo (SOUZA, 2007)
A orelha é o lugar de chegada e
reunião de energia, ela se comunica com os doze meridianos, além de ser uma das
principais regiões onde o Yin e Yang inter-relacionam. Os pontos auriculares
funcionam como uma memória do histórico patológico do individuo, dessa forma a
avaliação auricular tende a fornecer o desenvolvimento cronológico das
enfermidades e a predisposição a processos patológicos que ainda não se
manifestaram clinicamente (MACIOCIA, 2006). Dessa forma a avaliação auricular
passou a ter o valor semiológico muito próximo do diagnóstico através do pulso
e da observação da língua na Medicina Tradicional Chinesa (NEVES, 2009).
A orelha é constituída por uma camada elástica recoberta por pele, apresenta várias saliências, a inervação sensitiva da orelha é feita pelos nervos auriculotemporal, occipital menor e auricular maior, que são responsáveis pela sensação de tato, dor, frio, calor. O pavilhão auricular possui um formato que se assemelha a figura de um feto em posição embrionária, conforme descreve Paul Nogier. A analogia do feto se fundamenta na inervação do pavilhão auricular, pois este apresenta relação neurológica com os pares cranianos, fazendo o arco reflexo, órgão víscera, pavilhão auricular (NEVES, 2009).
Para a avaliação é muito importante
que a orelha não tenha sido manipulada, dessa forma se evita alterações que
possam mascarar e prejudicar a avaliação. Porem, deve-se levar em consideração
a idade e sexo da pessoa a ser avaliada, bem como a estação do ano. Para localizar o ponto reflexo na orelha, é preciso
procurar com calma. Cada pessoa possui um formato de pavilhão diferente, assim,
o ponto reflexo varia de individuo para individuo de acordo com o tipo do ponto
apresentado. Na pratica clinica não é indicado localizar os pontos apenas
baseando-se no mapa auricular, mas utilizar o método de apalpação, na busca de
pontos dolorosos a pressão (JUNYING, et al1996).
Contra Indicação
Não devem
ser usadas em gestantes entre segundo e sétimo mês. Após esse período não
devem ser pontuados útero, ovário, abdome, secreção glandular, sistema
endócrino, subcortex. Em gestantes com histórico de aborto espontâneo é contra
indicado o uso da auriculoterapia em todo o período gestacional (YAMAMURA,
2004).
Quando
estiver lesões, ulcerações, eczemas e similares. Se houver reações pronunciadas
de mal-estar, tontura, fraqueza, desmaios, hipotensão, conforme o caso, deve-se
evitar estimulação enquanto perdurar condições de extrema fraqueza. Em
cardiopatas de medicamentos anticoagulantes, diabéticos, portadores de anemia e
condições muito debilitantes de saúde, não é apropriado o uso de sangria e
estimulações forte por tempo prolongado com agulhas sistêmicas e similares (WEN,
2007).
Indicação
Pode ser
usado em todos os problemas físicos e psíquicos, abrangendo uma vasta relação
de tratamento, como analgesia, antiinflamatório, sistema nervoso, imunológico,
endócrino, psicológico, alérgico, prevenção e manutenção de saúde (YAMAMURA,
2004).
Não se deve abandonar e ou substituir o tratamento alopático pela auriculoterapia, essa é uma técnica complementar, para obter um resultado satisfatório em alguns casos é necessário que o tratamento seja associado a outros métodos.
Como já mencionado, é uma terapia
reflexa, seu uso deve ser exercido de forma cautelosa e cuidadosa, pois,
qualquer interpretação errônea de seu uso, avaliação e escolha de pontos pode
levar a uma terapêutica errada.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
JUNYING,G.; WENQUAN,H.; YONGPING,S. Selecionando os pontos de Acupuntuta – Um manual de Acupunturista. Ed. Roca, São Paulo, 1996.
MACIOCIA, G. Fundamentos da Medicina Chinesa. Ed. Roca, São Paulo, 1996.
NEVES, Marcos Lisboa. Manual Prático de Auriculoterapia. 1ª Edição, Porto Alegre, 2009.
SOUZA, Marcelo Pereira. Tratado de Auriculoterapia. 1ª Edição, Distrito Federal; Editora Novo Horizonte, 2007.
WEN,T.S. Acupuntura clássica Chinesa. Ed. Cultrix, São Paulo, 2007.
YAMAMURA, Ysao. Acupuntura Tradicional – A arte de Inserir. 2ª Ed., Ed. Roca, São Paulo, 2004.