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Meditação


Origem

Não é possível determinar ao certo a origem da meditação, uma vez que diversas culturas e religiões fizeram e ainda fazem uso da mesma, dando a ela diferentes nomes. É possível que conforme ocorreu a evolução das estruturas cerebrais e da consciência humana, deve ter iniciado a meditação e seu resultado - o êxtase (JOHNSON, 1995).

Histórico

Segundo a arqueologia a evolução humana atingiu a capacidade cerebral que conhecemos hoje há cerca de cinqüenta mil anos. No entanto na pré-história ocorreu a domesticação do fogo por volta de oitocentos mil anos atrás. Os homens pré-históricos faziam fogueiras permanecendo em torno delas para se aconchegar e se proteger. Nestas ocasiões podem ter ocorrido as primeiras experiências meditativas, focando a atenção nas chamas por horas, alterando o seu padrão de luta-fuga em troca de um estado alterado, mais calmo e de repouso (JOHNSON, 1995).

Segundo o antropólogo Gary Snyder, o nascimento da meditação, se deu na experiência do caçador arcaico. Como eles não possuíam instrumentos de caça que possibilitasse um distanciamento para abater a caça, chegavam muito próximo da presa, precisando silenciar os pensamentos (JOHNSON,1995).

Sócrates, Gilgamesh, Moisés, Platão, Cristo e Maomé utilizaram a meditação e o êxtase para compreender seus mecanismos psicológicos, influenciando o destino da humanidade através de seus discernimentos profundos (JOHNSON, 1995).

Carl Jung contribuiu para o conhecimento da meditação no mundo ocidental, através da auto-análise, equivalente a busca da visão do Buda dois mil e quinhentos anos antes para mundo a oriental. O principio meditativo consistia em concentrar a atenção interior numa “fantasia” de cada vez, tomando-as por objeto de meditação, em lugar de permitir que muitas “fantasias” desconexas surgissem e lhe confundissem a exploração. Mais tarde, chamou a esse método de “imaginação ativa” (JUNG, 2006).

Conceito

A palavra meditação vem do Latim, meditare, e significa ir para o centro, no sentido de desligar-se do mundo exterior e voltar à atenção para dentro de si. (DANUCALOV; SIMÕES, 2006).
Meditação em sânscrito é Dhyāna que significa “pensar ou refletir” é quando se mantém a consciência na atenção sem alterar ou oscilar a concentração. Ela também é entendida como estado de Samādhi que significa “êxtase”, promovendo uma dissolução da nossa identificação com o ego e total aprofundamento de nossos sentidos (DANUCALOV; SIMÕES, 2006).

Seu objetivo é compreender o que antes não compreendíamos, ver o que antes não víamos e estar onde nunca estivemos em relação a um objeto ou sujeito (MOHAN, 2003). Levando a pessoa a tornar-se atenta, experimentar o que a mente está fazendo enquanto ela o faz, estar junto com a própria mente e desenvolver o autoconhecimento e a consciência. Observa-se os pensamentos, para que seu fluxo seja progressivamente reduzido. O que parece simples é extremamente complexo para algumas pessoas, principalmente os ocidentais, tão ligados ao que pode acontecer e não ao que está acontecendo (DANUCALOV; SIMÕES, 2006).

Formas de Atuação

Dois grande grupos definem a forma de meditação: a ativa, quando se executa uma tarefa, se concentrando apenas e exclusivamente nela (ex: pintura de mandala, labirinto, origami, etc); e a passiva, onde o corpo permanece imóvel e a atenção é dirigida para a redução do fluxo dos pensamentos (NA).

Existem diferentes técnicas de meditação passiva: a Concentração, que pode ser chamada de treinamento mental; o Estado aberto onde o meditador torna-se um mero espectador dos pensamentos intrusos que invadem a mente; o Destemor quando o praticante esforça-se por trazer à mente uma certeza destemida, uma espécie de confiança inabalável; Compaixão traduzida como grande sentimento de amor por todos (DANUCALOV; SIMÕES, 2006). Pode ser realizada deitado, sentado ou em pé parado, trazendo o conforto necessário para o relaxamento (TULI; 2002).

Os objetivos e as técnicas de execução podem variar. Podendo servir simplesmente como um meio de relaxamento para rotina diária, como técnica para cultivar a disciplina mental e também ser um meio, segundo algumas culturas antigas, para obter-se insights sobre a real natureza humana ou a comunicação com Deus (DANUCALOV; SIMÕES, 2006).

A meditação é um processo de conscientização através do qual tentemos atingir o ponto mais alto do nosso ser. Procurando conhecer a si mesmo, treinando e coordenando as inúmeras potencialidades da mente (SATYANANDA, 1976).

O processo fisiológico da meditação acontece quando uma menor quantidade de neurônios é ativada devido a uma entrada reduzida de informações do exterior, assim como determinadas regiões cerebrais provavelmente estejam hiperpolarizadas – desligadas (DANUCALOV; SIMÕES, 2006).

A meditação desabrocha o que é melhor para cada pessoa, e seus resultados podem ser mensurados através dos benefícios trazidos à vida pessoal do indivíduo, Induzindo à calma e harmoniza a respiração com o corpo (MOHAN; 2003).
A meditação pode ajudar em vários casos como: depressão, ansiedade, hipertensão, dor crônica, hiperatividade, problemas gastrintestinais, hipertensão, diabetes, reduz a frequencia de resfriados e dores de cabeça e etc. (GOLEMAN, 2000).

Contra-indicações

Não foi encontrado nenhuma referência de que existam contra-indicaçõs para a prática da meditação (NA).

Referências Bibliográficas


DANUCALOV, Marcello Árias Dias; SIMÕES, Roberto Serafim. Neurofisiologia da Meditação. 1. ed. São Paulo: Phorte Editora, 2006.

GOLEMAN, Daniel. A arte da Meditação: um guia para a meditação. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sextante,1999.

JOHNSON, Willard. Quem inventou a Meditação? Do Xamanismo a ciência.10. ed. São Paulo, SP: Cultrix Pensamento, 1995.

JUNG, Carl Gustav. Memórias, Sonhos e Reflexões - autobiografia de Jung. Edição especial. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira, 2006.

MOHAN, A. G. Yoga Para o Corpo, a Respiração e a Mente: Um guia para a reintegração pessoal. 3. ed. São Paulo: Ed. Pensamento, 2003.

SATYANANDA, Paramhamsa. Yoga Nidra, Relaxamento Físico. Mental. Emocional. Mongrhyr, Bihar, Índia: Bihar school of yoga, 1976.

TULI, Uma Densmore.Auto Confiança, Yoga Biomedical Trust. 5. ed. São Paulo: Publifolha, 2002.

 Autor: Silvia Helena Fabbri Sabbag
Graduada em Naturologia pela Universidade Anhembi Morumbi, pós-graduanda em Yoga pela FMU

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